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Lu e Eu  
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Pensamentos instintivos, soltos e sem coleira...

September 11

DICIONÁRIO: INDIANO-PORTUGUÊS

Agora sim, vamos entender a porra da novela

Are Baba - Indignação Ex: (puta que o pariu, ma que merda, não fode)
Are baguandi - Espanto Ex:(Que porra é essa, ma que caraio)
Baguan Keliê - Susto Ex: Eiiiiiiiiiita porra,,, que cagada
Atcha - Quando se concorda com algo Ex: Aí sim hein , da hora, tesão.
Atchatchatchactha - Quando se concorda muito com algo Ex: Tesão pacaralho
Firangui - Biscate dos inferno
Tik - pode crer
Tik Tik - Pode crer to ligado
Tik Tik Tik - Pode crer to ligado na parada caralho
Tchâlo - calma filho da puta, calma caraio, vamo, vamo caraio
Mamadi - Véia
Dadi - Véio
Tchacha – Véio Caduco
Nahim - nem fudendo
Shukriá - Valeu aí mano
Namastê - vai na fé, e aí
Chai - Pinga, cachaça, véio barrero

September 14

Indivisível

 

Em cálculos precisos

Nesse universo matemático pouco solúvel

E nada atraente,

Previ ser possível

Coexistir dois corpos num mesmo lugar.

 

Perdi-me em números absolutos,

Diagramas, ângulos, projeções (e tentativas)

Quase sempre ineficazes, resultados inexpressivos

Conjecturas de doer só de lembrar.

Pudera. Probabilidades e objetivos como os meus

Não têm sentido algum

Em bases de muita matéria, com ou sem vácuo,

E nem me importa a hipotenusa (quem foi mesmo essa aí?)

Ou se a aceleração é constante.

 

Observe: não se anima o mundo a partir dos átomos

Basta ver: os animados somos nós.

Mas perdemos o foco com facilidade.

Então a pergunta é: que medida uso para tanto?

Em auto-resposta, parei de medir.

Há de se render: dois corpos vão ser sempre dois corpos.

Quanto a isso nada se faz.

A perspectiva, no entanto, é um tipo de cálculo

De muitos matizes.

O olhar , todavia, segue o que entende

Sob os pontos de vistas que melhor de convir.

 

Obtenho a expressão

Simplesmente subtraindo o ponto de fuga

De algum lugar Imerso na penumbra da vigília no sono.

Traçando a linha que liga o raso ao profundo

Diametralmente, separando a diagonal das vontades

Segmentando-a todos os dias.

Alinhavo à saudade.

Elevo a raiz de sorrisos à décima potência.

Inverto o mau humor cortando os zeros.

Acomodo as linhas paralelas

Na ascendência do arco,

Traço o caminho preciso

E escolho a horizontal para os meus fins.

 

E no escuro (tão absoluto, que poderia ser branco)

Enxergo quando meus olhos se cerram.

Há coisas sem origem em mim,

Flutuando naquilo que é menos que espaço

E mais que lugar.

Presença.

Faz amálgama das lembranças.

Torna-se portentosamente táctil,

Muito embora ainda não me toque.

Passeia entre meus dedos,

Sorve minha pele.

Enxuga minha nuca.

Pelos pêlos faz ninho.

Aconchega-se a mim

Deitando vapor sob minhas narinas.

 

Move-se com os pensamentos meus

Adere-se ao meu calor,

Vai se encapsulando em mim.

Percebo meu coração.

Ele está noutro lugar.

Bate lá... Mas também aqui.

E aqui (dentro) também não bate só.

Cheira a bem, o que difere de cheiro bom.

Cheira a bem. Ao meu bem.

Bem perto.

“Perto” ao ponto de ser ela em mim.

“Bem” ao signo de paz.

 

Reviso tudo, sem erro, mais pelo prazer

Que pelo ímpeto racional de apenas checar.

Número exato: dois (indivisível).

Raiz: profunda.

Razão: existir junto.

Base de cálculo: aquele momento eterno,

Revigorante, intenso, semeador,

Apaziguador, sincero e vívido de

Poder dormir ao seu lado.

Resultado: a infinita beleza de ter

A mulher que amo ao meu lado,

Sobre e sob mim... Sem arestas,

Sem pontas nem agudos,...

Somente nós.

Indivisíveis.

 

DEPOIS

 

Temi dizer.

Guardei pra mim.

Contive.

Sufoquei.

Espremi.

E por mais que o tempo voasse

Que os rostos,

Os corações,

As histórias,

E palavras passassem,

Temi dizer.

Guardei pra mim.

Contive.

Sufoquei.

Espremi.

 

Depois...

 

Abri.

Fixei meu olho.

Estendi a mão.

Acordado e dormindo.

Sem data.

Além das neuras.

Profundamente presente.

E por mais que o tempo voe

Que os rostos,

Os corações,

As histórias,

E palavras passem.

Abro.

Fixo meu olho.

Estendo a mão.

Acordo e durmo.

Sem data.

Além das neuras.

Profundamente presente em mim.

Só você.

 

Agora não há medo

E digo como se fosse a única sentença

A fazer sentido em tudo:

Preciso de você.

 


May 12

Desejo

 

"Desejo primeiro que você ame,
 E que amando, também seja amado.
 E que se não for, seja breve em esquecer.
 E que esquecendo, não guarde mágoa.
 Desejo, pois, que não seja assim,
 Mas se for, saiba ser sem desesperar.
 
 Desejo também que tenha amigos,
 Que mesmo maus e inconseqüentes,
 Sejam corajosos e fiéis,
 E que pelo menos num deles
 Você possa confiar sem duvidar.
 E porque a vida é assim,
 Desejo ainda que você tenha inimigos.
 Nem muitos, nem poucos,
 Mas na medida exata para que, algumas vezes,
 Você se interpele a respeito
 De suas próprias certezas.
 E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
 Para que você não se sinta demasiado seguro.

 Desejo depois que você seja útil,
 Mas não insubstituível.
 E que nos maus momentos,
 Quando não restar mais nada,
 Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
 
 Desejo ainda que você seja tolerante,
 Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
 Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
 E que fazendo bom uso dessa tolerância,
 Você sirva de exemplo aos outros.
 
 Desejo que você, sendo jovem,
 Não amadureça depressa demais,
 E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
 E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
 Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
 É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
 
 Desejo por sinal que você seja triste,
 Não o ano todo, mas apenas um dia.
 Mas que nesse dia descubra
 Que o riso diário é bom,
 O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

 Desejo que você descubra,
 Com o máximo de urgência,
 Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
 Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

 Desejo ainda que você afague um gato,
 Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
 Erguer triunfante o seu canto matinal
 Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

 Desejo também que você plante uma semente,
 Por mais minúscula que seja,
 E acompanhe o seu crescimento,
 Para que você saiba de quantas
 Muitas vidas é feita uma árvore.

 Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
 Porque é preciso ser prático.
 E que pelo menos uma vez por ano
 Coloque um pouco dele
 Na sua frente e diga "Isso é meu",
 Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

 Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
 Por ele e por você,
 Mas que se morrer, você possa chorar
 Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

 Desejo por fim que você sendo homem,
 Tenha uma boa mulher,
 E que sendo mulher,
 Tenha um bom homem
 E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
 E quando estiverem exaustos e sorridentes,
 Ainda haja amor para recomeçar.
 E se tudo isso acontecer,
 Não tenho mais nada a te desejar".

 

(Vitor Hugo)

 

March 19

AQUI AGORA coisa nenhuma... essa é uma realidade de todo dia.

 
Hoje parei pra pensar no conceito de humanitário, de humanismo,... e de como exercê-lo com dignidade, sem trair sua essência.
 
Na verdade, penso sempre nisso. Não por achar bonito, nem politicamente correto... menos ainda pra aparecer. Penso nisso por mim mesmo.. seria muito diferente do que sou se não pensasse nisso. Mas o humanismo, assim como os outros "ismos", tem tb suas regras, normas de conduta.
Não preciso elencar detalhadamente nenhumas delas, pq imagino que se olharmos todos para dentro de nós mesmo e procurarmos as premissas pra uma vida de respeito e dignidade, todos os detalhes venham juntos.
 
Hoje no entanto, cedi ao meu policiamento próprio de evitar certos programas sencionalistas (medida preventiva essa que me resguarda o estômago não apenas dos atos mostrados, mas de quem adora lucrar em exibi-los).
 
A notícia do dia era a da menina torturada por uma empresária em Goiânia. Poupo-lhes novamente os detalhes, mas o teor da tortura, qualquer que seja o tipo, fere por todos os lados e os relatos ainda são mais fortes ao se ouvir pela voz de uma criança de 12 anos.
 
E as coisas voltam à nossa realidade: os meninos do tráfico, mortos já sem esperança; o garoto João Hélio, arrastado pela ruas; a menina Gabriela, morta com um tiro na saída do metrô... tantos casos longe, tantos casos perto.
 
E as coisas voltam à nossa realidade: corrupção deslavada que mina recursos necessários a nossa vida social (e nossa cara somente a observar a achar tudo normal); porões das delegacias, prisões, porões da ditadura; supressão dos direitos civis...
 
E as coisas voltam à nossa realidade: comprar filmes piratas ajudam ao tráfico de drogas; não exigir de quem nos deve representar é ser conivente com o que existe de tão pouco honesto; não se educar minimamente e não respeitar regras derivam em impunidade para o ladrão, para o mal motorista, para o colega de escola, para quem acha que passar a perna é só um "jeitinho pra encurtar as coisas"...
 
Na verdade, não sei muito bem pq dizer tudo isso. Esse texto tb não é pq mudei de idéia sobre o humanismo. Nem descobri subimente nada que já não sentisse ou soubesse. Isso nem é um desabafo. É só uma auto-argumentação em que constato que, pelo menos hoje, o humanismo é um sentimento tão mais dificil de sustentar e encarar que um programa sensacionalista na TV.
 
September 27

Tão Bem também...

 
Sempre existem esses dias, né?
Em que bate uma falta tremenda, uma saudade...
E ela vem acompanhada de uma dose de contemplação, não raro de alguns suspiros desapercebidos (que nós, se pudéssemos nos ver como num visor de uma câmera escondida, diríamos: olha só pra isso!!)
E como se não bastasse ainda tem alguém em algum lugar que põe uma música assim no meio da rua e você fica com ela martelando melodicamente na sua cabeça o dia inteiro...
 
E fica ainda mais se é uma música que a gente gosta e se identifica:
 

"Ela me encontrou, eu tava por aí

Num estado emocional tão ruim

Me sentindo muito mal

Perdido, sozinho

Errando de bar em bar

Procurando não achar

Ela demonstrou tanto prazer

De esta r em minha companhia

Eu experimentei uma sensação

Que até então não conhecia

De se querer bem

De se querer quem se tem

E ela me faz tão bem, ela me faz tão bem

Que eu também quero fazer isso por ela"

 

(Lulu Santos)

August 29

Uma luz entre a sala e o banheiro

 

Só fiz mesmo

Por ser sofismático,

Uma espécie

De argumento matemático,

Um pedaço de texto

Mal quebrado.

 

Não que um texto em si,

Feito e tomado de espaço,

Tenha corpo suficientemente

Íntegro que não possa ser

Despedaçado.

 

Mas o recorte me importava.

 

Um fragmento

Um intento

Um vago sobreposto

De letras

Que me pudesse olhar no rosto

Com a empáfia

E a consciência leve

A partir de um sinal mal dado

De que sua existência

Nessas linhas sem sentido

Não fora uma simples

Conveniência, um inventado.

 

Mas fora sim,

Um flash

Um insight assim.

 

Fora um impulso

Um resultado da pretensão

De dispor, pelo menos no dia de hoje,

De algum sinal de produção

 

Um punhado de texto não-falado

Mas que ocupasse um espaço

Mínimo,

Sequer um mimo,

Que eu pudesse dizer,

Sem cansaço:

Deixei neste dia um texto blogado.

 

 

Aos meu dois amores encapetados (num dia de paciência zero)

 

Poema enjoadinho

Filhos . . . Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete . . .
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los . . .
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Vinícius de Moraes  

August 28

Tempo, mano velho!

TEMPO
TEMPO
MANO VELHO
FALTA UM TANTO
AINDA EU SEI...
 
Venho tentando organizar meu tempo de leitor, meu tempo de escrita, meu tempo de falar besteiras por falar besteiras. Mas tá complicado. Num dado de realidade qualquer, o tempo que a gente desperdiça com um objetivo cego de ser "trabalhador" consome nosso tempo de gente, tempo de ouvir, de refletir, de ficar de pernas pra o ar e parar pra ouvir músicas (só por ouvir).
 
Meu cômodo abandono só se aproxima daquilo que posso imaginar contemplativo quando tenho minha mulher em meus braços... é o Bônus do romance, do calor dos corpos e das almas.... um torpor que resgata o humano por sobre o cotidiano martelar das obrigações. Mas até isso é de vez em quando.
 
Preciso do tempo como aliado. Da disciplina como guia. Da objetividade como linha... e dos devaneios como substância.
 
 
June 11

Eis que um dia eu criei o Barba Ruiva

 
No meio de um monte de histórias malucas que vez ou outra me saltam a mente, algumas delas praticamente vêm sozinhas.
Personagens que já nascem feitos, cheios de si e de uma personalidade tão forte que eu quase me sinto usado. No meio disso tudo, sou só o cara que escreve e de vez em quando recebe algum trocado de alguns desses personagens pra não fazer greve...
Um dia desses, vcs vão ver, eu ainda tomo coragem e reivindico deles minha carteira assinada.
 
Eis o Barba..............
 
Matei minhas sete esposas
 
Quero crer que apresentar-me será de bom tom.
Venho de longe, a instalar-me nos recintos
À cata de vinho e mulheres
Pois que, asseguro, tenho o dom
De possuí-las por essência e fixar residência
Em seus corpos, tê-las no todo e em seus focos,
Tomar-lhes o espiritual e dar-lhes a carne minha
Do crepúsculo, já à tardinha, ao dia que raia com o sol matinal.
 
Revelo, porém, desde já, que assumo (mal feito, mal feito está),
Matei com apuro e resumo as sete esposas que tive.
Atesto, sem reclamar, nem por deslize, o que fiz a cada uma,
Pois que os extremos vieram se aninhar a mim no destino de matar
E o fim de todas elas teve sim a marca do que é livre.
A mim se entregaram de bom grado, vindas de carro ou montadas num asno.
Tiveram todas fins comuns, pois morreram todas
Com algum tipo definido de orgasmo.
 
- A primeira, teve fim na força descomunal das mulheres sem freio, fogosa:
Das que perdem o arreio e se mata porque goza.
 
- A segunda, bateu-se estrebuchando, num espasmo profundo,
A cabeça à ponta da cama. Findo o gozo, findo o mundo.
 
- A terceira, rameira... gozava de amar, vivia de dar
Morreu assada, depravada, de tanto gozar a noite inteira... em plena quarta-feira!
 
- A quarta, gemia pouco, gozava muito, mal se ouvia, a pudica
Explodiu por tal pressão, estremelicando à louca até o banheiro, perto da bica.
 
- A quinta, invasora, tinha ganas de macho. Queria-me mulher.
Dei-lhe um garrote, e comi-la em pé. Gozou até a morte, de olho num serrote
Que se via bem ali, junto a parede, no sopé.
 
- A sexta, miúda, nem cabia em si. Cristalina, urrava em uníssono com os pássaros,
Cantolava e bebericava vinho à croissants. Morreu engasgada entre dois ou três ham-hãns.
 
- A sétima, morreu a mais de um ano. Comi-lhe a cona e o culo... fodi-lhe dias e dias sem sossego.
Dia e noite, nos domingos e feriados. Parei por ocasião do Natal, chamou-me de viado.
Dei-lhe um tiro nas fuças. Também sou humano.
 
Eis que narrada minha trajetória, espero aqui também fazer história.
Não procuro mais esposas, mas não nego a espada que porto em aventuras,
Envergada e cintilante, em riste e de consistências duras.
Aviso aos confrades dessa aldeia de gentis, estou de passagem, mas consolado.
Ergo minha taça, cumprimento às moças e aviso aos moços,
Sinto-me honrado pelo tempo que estiver aqui ao lado.
 

Marcelo Lopes

Occupation
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